Temas

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Pretende-se proporcionar um espaço de reflexão sobre o impacto da cibercultura no quotidiano. Deste modo, destacam-se quatro possíveis orientações para os trabalhos:

1. Pensamento, estéticas e artes digitais
O pós-corpo da contemporaneidade produz e reproduz estéticas digitais nunca dantes vistas, no interior de uma cultura da velocidade e das ligações, onde proliferam múltiplas sub-culturas e tribos digitais. Num tal cenário, emergem as propostas do cyberpunk na literatura e na música, e as artes dos novos media fundam-se e fundem-se em mixed media, realidade virtual, augmented reality, physical computing, etc.

2. Lazeres e saberes digitais
Os e-lazeres e e-saberes recorrem a novos jogos e jogabilidades, bem como ao edutainment, no âmbito federador mas também conflituoso tanto das redes sociais da Web 2.0 ou Web Social (como o Facebook, o Twitter ou o LinkedIn), quanto das redes sociais-semânticas da Web 3.0 (Web Social-Semântica ou Internet of Things) associada à sociedade do conhecimento e ao researtainement (investigação através do jogo).

3. Economia política, corpo e identidades pós-humanas
A economia em rede redefine a globalização, o tecnocapitalismo, a sociedade do risco e a contemporaneidade multi/inter/transcultural, igualmente no quadro da Lusofonia. Na teia digital, surgem processos de convergência e remediação, mas também de exclusão digital (digital divide) e ciber-consumo. Daí que a prática política se redesenhe hoje na e-política, onde os fenómenos de e-governança e de e-democracia se apoiam na cidadania/ativismo digitais e nos Tactical Media, mobilizados por hackers e crackers, seja de um modo não-violento, seja em contextos de ciberguerras e ciberterrorismo. A economia e as ecologias da rede metamorfoseiam igualmente a forma de entender as etnias, o género, as sexualidades e o próprio feminismo, na sua confluência com o cyborg, o não-humano e o pós-humano.

4. Epistemologias, teorias, metodologias e pedagogias inovadoras
Numa tal contemporaneidade, um inovador paradigma do conhecimento encontra-se em emergência, não apenas no seio das práticas ocorridas no ciberespaço e no cibertempo, mas igualmente no interior da própria investigação. Já não se trata apenas dos conteúdos e media partilhados nas redes sociais digitais da Web 2.0, que constituem apenas o topo visível do vulcão subjacente à atual cena digital em rede. Tim Berners-Lee, o fundador da WWW, aponta a Web 3.0 como a próxima etapa paradigmática do ciberespaço. As suas principais caraterísticas são as seguintes: a ligação não apenas entre pessoas (‘todos com todos’) como ocorre na Web 2.0, mas a conexão de ‘tudo com tudo’ (contextos, pessoas, objetos, práticas, etc.); a articulação das multiculturas e das interculturas com as transculturas. Estas últimas desenvolvem, mais profundamente, a transformação da informação em conhecimento, abrindo assim o caminho para a ‘sociedade da investigação’, onde todos são chamados a pesquisar.